Diferenças de volume de substância cinzenta no controle de impulsos e distúrbios de dependência (2020)

Março de 2020

FUNDAMENTOS: Os conceitos de vícios e distúrbios de controle de impulso estão mudando conforme refletido no 11th versão da Classificação Internacional de Desordens (CID-11, OMS, 2018). No entanto, estudos focados na comparação direta de diferenças estruturais do cérebro em vícios comportamentais e de substâncias são limitados.

AIM: Aqui, contrastamos os volumes de substância cinzenta (GMVs) entre os grupos de indivíduos com transtorno do comportamento sexual compulsivo (CSBD), transtorno do jogo (GD) e transtorno do uso de álcool (AUD) com aqueles sem nenhum desses transtornos (participantes saudáveis ​​do controle; HCs).

MÉTODOS: A morfometria baseada em voxel (VBM) foi empregada para estudar a estrutura cerebral e a gravidade dos sintomas de dependência foi avaliada com questionários. Para identificar regiões cerebrais relacionadas à gravidade dos vícios, foram computadas correlações entre os escores dos questionários e os GMVs.

RESULTADO PRINCIPAL: Foram coletados dados de RM (GMVs) de 26 pacientes com DCBT, 26 pacientes com DRC, 21 pacientes com AUD e 25 participantes do HC (todos homens heterossexuais; idade: 24-60; M = 34.5, DP = 6.48).

RESULTADOS: Os indivíduos afetados (DSCB, DG, DAC) comparados aos participantes do HC apresentaram GMVs menores no polo frontal esquerdo, especificamente no córtex orbitofrontal. As diferenças mais pronunciadas foram observadas nos grupos GD e AUD, e os menos no grupo CSBD. Houve uma correlação negativa entre GMVs e gravidade do distúrbio no grupo CSBD. Maior gravidade dos sintomas da DCSB foi correlacionada com a diminuição do GMV no giro cingulado anterior direito.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS: Nossos resultados sugerem semelhanças entre distúrbios específicos do controle de impulso e dependências.

FORÇAS E LIMITAÇÕES: Este estudo é o primeiro a mostrar GMVs menores em 3 grupos clínicos de CSBD, GD e AUD. Mas o estudo foi limitado apenas a homens heterossexuais. Os estudos longitudinais devem examinar até que ponto os decréscimos pré-frontais do volume ventral podem representar fatores de vulnerabilidade preexistentes ou se eles podem se desenvolver com a progressão do distúrbio.

CONCLUSÕES: Nossa pesquisa estende descobertas anteriores em distúrbios no uso de substâncias com menor GMV em volumes corticais pré-frontais entre três grupos clínicos de pacientes com controle de impulso específico e distúrbios comportamentais e de dependência de substâncias. A correlação negativa entre os GMVs e os sintomas da DRC e o giro cingulado anterior direito sugere uma ligação com a sintomatologia clínica.