COMENTÁRIOS: Explica como a desregulação da dopamina pode agravar a recaída, estreitar os interesses dos usuários e perturbar a tomada de decisão, sendo responsável por uma ampla gama de sintomas relacionados ao vício.
Prog Neuropsychopharmacol Biol Psiquiatria. 2007 Nov 15; 31 (8): 1601-13.
Leyton M.
Departamento de Psiquiatria, Universidade McGill, 1033 Pine Avenue West, Montreal, Quebec, CANADÁ H3A 1A1. [email protected]
Sumário
Em modelos animais, evidências consideráveis sugerem que o aumento da motivação para buscar e ingerir drogas de abuso está relacionado às ativações condicionadas e sensibilizadas do sistema de dopamina mesolímbica (DA). A evidência direta desses fenômenos em humanos, no entanto, é esparsa. No entanto, estudos recentes apoiam o seguinte.
Primeiro, a administração aguda de drogas de abuso em classes farmacológicas aumenta os níveis extracelulares de DA no estriado ventral humano.
Em segundo lugar, as diferenças individuais na magnitude dessa resposta estão relacionadas aos efeitos recompensadores das drogas e ao traço de personalidade da busca por novidades.
Em terceiro lugar, a transmissão transitoriamente decrescente de AD em humanos diminui o desejo por drogas, a propensão a responder preferencialmente a estímulos pareados por recompensa e a capacidade de sustentar a resposta para recompensa futura de medicamentos.
Finalmente, estudos muito recentes sugerem que a exposição repetida a drogas estimulantes, seja na rua ou em laboratório, pode levar a respostas comportamentais condicionadas e sensibilizadas e à liberação de DA.
Em contraste com esses achados, porém, em indivíduos com uma longa história de abuso de substâncias, a liberação de DA induzida por drogas está diminuída. Esta liberação DA diminuída pode refletir dois fenômenos diferentes. Primeiro, é possível que os decréscimos relacionados à abstinência de drogas na função da célula DA persistam por mais tempo do que se suspeitava anteriormente.
Em segundo lugar, os estímulos pareados por fármacos podem ganhar um controle condicionado acentuado sobre a liberação de DA e a expressão de sensibilização que leva à redução da liberação de DA quando as pistas relacionadas ao medicamento estão ausentes.
Com base nessas observações, uma hipótese de dois fatores sobre o papel do DA no abuso de drogas é proposta.
Na presença de sinais de drogas, a liberação de DA condicionada e sensibilizada ocorreria levando a um comportamento focado de procura de drogas.
Em comparação, na ausência de estímulos relacionados à droga, a função DA seria reduzida, diminuindo a capacidade dos indivíduos de sustentar o comportamento direcionado por objetivos e objetivos de longo prazo.
Esse controle condicionado da expressão da liberação de DA sensibilizada poderia agravar a suscetibilidade à recaída, estreitar a gama de interesses e perturbar a tomada de decisão, representando uma ampla gama de fenômenos relacionados à dependência.