Correlação entre receptores dopaminérgicos D2 no estriado ventral e processamento central de estímulos e desejo de álcool (2004)

Am J Psychiatry. 2004 Oct;161(10):1783-9.

Heinz A1, Siessmeier T, Wrase J, Hermann D, Klein S, Grüsser SM, Flor H, Braus DF, Buchholz HG, Gründer G, Schreckenberger M, Smolka MN, Rösch F, Mann K, Bartenstein P.

Errata em

  • Sou J Psiquiatria. 2004 Dec; 161 (12): 2344. Grüsser-Sinopoli, Sabine M [corrigido para Grüsser, Sabine M].

Sumário

OBJETIVO:

Álcool e outras drogas de abuso estimulam a liberação de dopamina no estriado ventral, que inclui o nucleus accumbens, uma região central do sistema de recompensa do cérebro, e reforça a ingestão de substâncias. A ingestão crônica de álcool está associada à regulação negativa dos receptores centrais de dopamina D (2), e a recuperação tardia da sensibilidade do receptor D (2) após a desintoxicação está correlacionada positivamente com o alto risco de recaída. A disfunção do receptor D prolongado (2) no corpo estriado ventral pode interferir com um sinal de detecção de erro dependente de dopamina e influenciar o sistema de recompensa cerebral em direção à atribuição excessiva de saliência de incentivo a estímulos associados ao álcool.

MÉTODO:

A imagem multimodal, com o radioligante [(18) F] desmetoxifalprida e tomografia por emissão de pósitrons, bem como a ressonância magnética funcional (fMRI), foi usada para comparar 11 alcoólatras masculinos destoxificados com 13 homens saudáveis. Os autores mediram a associação de receptores de dopamina tipo D (2) no estriado ventral com desejo por álcool e processamento central de estímulos do álcool.

RESULTADOS:

A ativação do córtex pré-frontal medial e estriado por estímulos associados ao álcool, em relação à ativação por estímulos visuais neutros, foi maior nos alcoólatras destoxificados do que nos homens saudáveis. Os alcoólatras apresentaram menor disponibilidade de receptores tipo D (2) no estriado ventral, o que foi associado à severidade do desejo por álcool e à maior ativação induzida por estímulo do córtex pré-frontal medial e do cingulado anterior, avaliada com fMRI.

DISCUSSÃO:

Em alcoólatras, a disfunção dopaminérgica no corpo estriado ventral pode atribuir incentivo ao estímulo associado ao álcool, de modo que o álcool estimule a fissura e a ativação excessiva de redes neurais associadas à atenção e ao controle do comportamento.