Tendências Psiquiatria Psychother. 2019 Oct-Dec;41(4):358-368. doi: 10.1590/2237-6089-2018-0069.
Khoury JM1,2, Neves MCLD1,3, Roque MAV3, Freitas AAC3, da Costa MR3, Garcia FD1,2,3,4.
Sumário
INTRODUÇÃO:
Para melhorar a compreensão da interface entre o vício em smartphone (SA) e o vício em Facebook (FA), hipotetizamos que a ocorrência de ambos vícios tecnológicos se correlaciona, com níveis mais altos de consequências negativas. Além disso, supomos que a SA esteja associada a níveis mais baixos de satisfação do suporte social.
MÉTODOS:
Recrutamos uma amostra de conveniência de estudantes de graduação da Universidade Federal de Minas Gerais, com idade variando entre 18 e 35 anos. Todos os sujeitos preencheram um questionário auto-preenchido, que incluía dados sociodemográficos, o Inventário Brasileiro de Dependência de Smartphone (SPAI-BR), a Escala de Bergen para Dependência de Facebook, a Escala de Impulsividade Barrat 11 (BIS-11), a Escala de Satisfação de Suporte Social (SSSS), e a Escala Breve de Procura de Sensação (BSSS-8). Após o preenchimento do questionário, o entrevistador realizou uma Mini-Entrevista Neuropsiquiátrica Internacional (MINI).
RESULTADOS:
Na análise univariada, a SA associou-se ao sexo feminino, com idades entre 18 e 25 anos, FA, transtornos por abuso de substâncias, transtorno depressivo maior, transtornos de ansiedade, baixos escores no SSSS, altos escores no BSSS-8 e altos escores no BIS. O grupo com SA e FA apresentou maior prevalência de transtornos por abuso de substâncias, depressão e ansiedade quando comparado ao grupo com SA.
CONCLUSÃO:
Em nossa amostra, a co-ocorrência de SA e AF correlacionou-se com níveis mais altos de consequências negativas e níveis mais baixos de satisfação do suporte social. Esses resultados sugerem fortemente que SA e FA compartilham alguns elementos de vulnerabilidade. Estudos adicionais são necessários para esclarecer as instruções dessas associações.
PMID:
31967196
DOI: